Desenterrando

Foi tão inesperado que acabei me propondo a tentar. Diria até que toda a confusão gerada me deu mais fôlego para prosseguir, ver o que eu encontraria adiante. Ainda que o receio estivesse comigo, arrisquei. Não que eu tivesse feito a coisa certa, tampouco a errada, a questão é que eu pelo menos quis acreditar que saí do lugar…

Mesmo sabendo que na verdade, continuo na mesma.

 

 

(rascunhos de 2011).

Um dia,

eu sonhei com você. Imaginei como seria o som da sua voz e como meu coração bateria ao ouvi-la. Como seria suas mãos e como minha pele reagiria ao seu toque. Sonhei com a sua simples existência, mas meu amor, jamais pensei que todos os meus sonhos pudessem estar em uma única pessoa.

Diálogos

– Eu sempre ouvia palavras sobre desertos, na época eu passava por cada coisa boba e achava que era deserto…

– Mas era o seu deserto naquela hora! O que doía antes já não faz o mesmo efeito, e com certeza daqui a um tempo você vai olhar o hoje com uma visão bem diferente. Os desertos mudam…

Ontem no entanto

perdi durante horas e horas a minha montagem humana. Se tiver coragem, eu me deixarei continuar perdida. Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo – quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação. ‘A paixão segundo G.H. – Clarice Lispector.’

É dona Cla, você me entenderia!