Sua imagem

Uma imagem perfeita da ilusão. Não há defeitos, não há máculas, não há queixas. E junto com essa imagem, um futuro na mesma perfeição. Sonhado e idealizado pelas minhas melhores lembranças. Realmente doce, sincero, feliz. Não consigo apagar essa imagem ou mesmo adaptá-la à realidade, perceber que houve mudança. Acordar para o mundo real e convencer-me do que existe e do que está apenas nas minhas memórias. Se é que isso faz alguma diferença… eu te criei assim.

‘babylove.

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Achando

1) Visualiza-se. Pronto, agora você já tem uma opinião. Se gosta ou não, não interessa.

2) Escuta falarem sobre. Agora você já incrementou sua opinião (que pode permanecer a mesma, ou ser modificada).

3) Convive-se. Nesse momento tudo muda. Você achava uma coisa que agora nem lembra mais o que era. Nessa fase tem-se uma definição: ou gosta ou não gosta.

4) Afasta-se. Você espera uma reação, que pode ser positiva ou não.

Agora você tem a sua visão de algo ou alguém. Essa imagem formada vai permanecer com você por tempo indeterminado. Há algumas imagens que você deseja desesperadamente que mude para que você se adapte à nova realidade… mas nem sempre é possível.

5) Aprende-se a conviver com a imagem que você formou e com o que na realidade se tornou. Ou não.

Aprendi com a farmacologia que:

1) Interações medicamentosas podem ser fatais.

2) A diferença entre remédio e veneno é a dose.

3) Tolerância e dependência é questão de tempo.

E faz sentido. Não acredita?

1) Algumas coisas simplesmente não podem se misturar. Como iMAO e Tiramina. Se tentarmos juntar, o resultado pode ser catastrófico. Não tem jeito. Não foram feitos para ficar juntos e não podem estar no mesmo lugar ao mesmo tempo. E eu sei que você sabe alguns exemplos! Não adianta ficar lendo com cara de desentendido…

2) Moderadamente é uma beleza. Tudo dá certo, todos felizes. Exagerou? Aumentou a dose? Pronto: veneno. Confiou de mais em si e deu tudo errado? Confiou demais em alguém e se decepcionou? Parabéns. Em excesso, tudo é veneno. Até as melhores coisas.

3) Com tempo prolongado e em doses constantes e/ou progressivas (mas lentamente), podemos adquirir tolerância ou dependência. Como aquela mãe que sempre promete que vai colocar o filho de castigo e nunca cumpre. Uma hora ele pára de acreditar na ameaça e repete a travessura em dobro. Já ficou tolerante à ameaça, não faz mais efeito. Já a dependência meu amigo… essa é um perigo! Vai chegando aos pouquinhos, você não percebe. Experimenta ficar longe, sem possuir, sem ter contato: LOUCURA. Aí quando você percebe…

já não consegue mais viver sem.

Acontece que

estamos sempre esperando. Há os que esperam uma promoção no trabalho, um amigo voltar de viagem, ou mesmo retomar uma amizade. Esperamos pedidos de desculpa, de casamento, aquela carona para a festa, um abraço ou simplesmente um olhar. Os mais utópicos esperam que o mundo melhore, que a pobreza acabe e que a paz reine.  E enquanto isso, alguns simplesmente esperam…

sem saber ao certo o que esperar.

Eu, que não vou fugir à regra, também espero. Não tão pacientemente quanto deveria, mas também não com tanta pressa. Espero que algumas coisas passem o mais depressa possível, que outras não passem nunca, e que algumas aconteçam logo. É esperar demais? (…)

Queria

uma promessa de que ganharia uma estrela. Aquela mais linda e brilhante. Queria dengo. Colo, cafuné, e paciência com a minha manha. Queria ouvir coisas bonitas e sonhar de olho aberto (e fechado também). Queria o impossível. Queria tudo isso ao mesmo tempo,

mesmo sabendo que é mentira.

O preço.

Havia tanta coisa a ser dita, tantas palavras implorando para serem despejadas, que no final ela se calou. Como sempre. Na esperança que a dedução se fizesse presente e interpretasse o que seu silêncio dizia, apenas seu olhar se propagou naquele marasmo. E ele, implorava para ser compreendido.

Para fazer o que era certo, era preciso deixar as coisas como estavam e ser a errada.

Era este o preço. E foi pago.


Motivos

Não preciso de motivos pra chorar ou rir. Não preciso de motivos para lembrar assim, repentinamente, de uma ação de segundos. Acontece sem planejamento e sem a minha permissão, e nem sempre eu aprovo. Sou muito ‘sequencial’. Do tipo que sai ligando pontos aleatórios por aí. Escuto uma palavra, lembro de uma música, que me lembra um dia, que me lembra uma pessoa, que me lembra outra coisa. Ou então, mais do nada ainda: ouvi o barulho de uma barriga roncando e lembrei como era engraçado discutir sobre esses barulhinhos das barrigas com você…

era tão legal.