Olhou mais uma vez

ainda faltava alguma coisa. Não estava muito certa se era a cor do batom que estava desbotando ou se era sua coragem que estava escorrendo pelo ralo da pia. Precisava decidir-se logo e sair daquele banheiro. Olhou de novo, mas agora com os olhos no passado e riu. Viu seu rosto de 30 anos atrás sorridente, naquela mesma situação. O sorriso se fechou. Definitivamente ela não era a mesma. Passou a mão pela água gelada da torneira, respingou um pouco da água sob sua face como de costume, secou sua mão na toalhinha ao lado e alisou levemente o rosto. Girou a maçaneta, levantou o pé para caminhar e parou. Por que sentia-se não merecedora daquilo? Tentou recordar-se em qual momento da vida ela havia decido ser infeliz e percebeu o imperceptível: uma pequena dose de culpa em 30 anos havia executado perfeitamente essa tarefa. Abaixou a cabeça, inspirou a maior quantidade de ar possível e expirou lentamente: já era a hora de decidir.

E dessa vez, ela não diria não!

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