Castelinhos.


E lá estava ele. Suas mãozinhas delicadas moldavam o seu pequeno castelinho de areia. Sua mãe já havia o chamado para brincar com as outras crianças, mas ali, na sua construçãozinha, ele se sentia bem! Moldou a base rapidamente e com todo o cuidado foi construindo as torres, bem altas e imponentes. Pelo menos na sua imaginação. Ficou ali observando sua obra, com o sorrisinho de orelha à orelha. Era o seu reino, seu mundinho, feito por suas mãos. Percebeu que a lateral esquerda da base estava um pouco torta, mas deixou assim mesmo. Continuar a construção era bem mais interessante do que reparar o estrago. Além disso, já era hora de povoar o Reino. Foi construindo a ponte, o fosso, e até colocando uma bandeirinha azul na mais alta torre, quando o castelinho começou a tombar. Foi devagarzinho, devagarzinho, até que tombou. Tombou como tombam construções sem alicerces, relacionamentos sem confiança e sonhos sem fé. Tombou assim, do nada, sem aviso prévio e sem condições de reparo. Destruído. Como são destruídas construções em morros condenados pela vigilância, relacionamentos sem amor e sonhos de jovens inexperientes.

Destruído. Como aquele mendigo abandonado na rua, como aquela senhora na UTI, como aquela jovem abandonada no altar. Como alguém comum que você encontra por aí.

Mas ele não desistiu. Pegou sua pázinha e começou tudo de novo. Já se sentia pronto para começar o próximo castelinho. Afinal, crianças (ao contrário dos adultos) não têm medo de recomeçar!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s