reclamações

Seguindo minha tendência natural de fazer observações e reclamações mentais, fui fazendo aquele trajeto de duas quadras. Fui atravessar a rua e uma cena interrompeu algum pensamento (não muito positivo, diga-se de passagem) que passava na minha cabeça naquele momento: um senhor, nem idoso, nem muito jovem, camiseta vermelha, calças pretas, óculos escuros e uma bengala esperava do outro lado da rua. O sinal para ele estava aberto e ele continuava ali, esperando e batendo na calçada levemente com sua bengala. Atravessei aquele lado da avenida e continuei observando o policial que havia chegado à cena. Ofereceu o braço para o senhor e ambos atravessaram a rua. Foi o suficiente para que todas as reclamações mentais cessassem.

Pelo menos momentaneamente.

Se tu vens

“Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieto e agitado: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração…”

 

Inverno

Havia mais palavras na tristeza ou mesmo uma necessidade maior de mascarar o presente com ilusões. Aqueles ares, embora não tão fisicamente frio, cortava muito mais. Não fazia tanto tempo, mas agora tudo parecia parte de um passado distante…